terça-feira, 18 de novembro de 2014

Termodinâmica no dia a dia

Bem, no post anterior aprendemos um pouco sobre as leis da termodinâmica agora vamos aprender o que isso tudo tem haver conosco apartir muitas máquinas que fazem parte do nosso dia-a-dia que operam segundo princípios termodinâmicos (automóvel, caldeira, freezer, ar-condicionado,geladeiras etc.).

Estudaremos a seguir o funcionamento dos refrigeradores - ou geladeiras -, que podem ser considerados como um tipo de máquina térmica, pois há vários princípios físicos em uma máquina que utiliza a vaporização de uma substância (no caso, o gás refrigerante) para retirar calor dos seus compartimentos. Ou seja, para diminuir sua temperatura interna.

Os primeiros refrigeradores, semelhantes aos que temos hoje, surgiram na década de 1850, mas foi só no início do século 20 que eles começaram a ser adquiridos pelas famílias, para uso doméstico.

O refrigerador foi uma invenção importante, pois, antigamente, o armazenamento e o transporte de alimentos perecíveis eram muito difíceis, exatamente pelo fato de não existir uma máquina que provocasse o resfriamento das substâncias e, também, mantivesse as temperaturas baixas. Nos dias atuais, podemos, por exemplo, conservar leite, carne, peixe, iogurte e frutas por um bom tempo, sem nenhum problema, obtendo uma maior durabilidade dos produtos.
O refrigerador doméstico e o ciclo de refrigeração
A geladeira funciona em ciclos, usando um gás refrigerante num circuito fechado. Assim, o gás circula permanentemente, sem perdas, a não ser que haja um vazamento no aparelho.


Antigamente, as geladeiras usavam o gás freon 12 (clorofluorcarbono), que é um gás apropriado para essa tarefa: tem elevado valor de calor latente de condensação e baixa temperatura de ebulição, além de não ser inflamável. Mas esse gás foi identificado como um dos que agridem a camada de ozônio. Desde então, os fabricantes vêm substituindo, gradativamente, o freon 12 por outros gases, com propriedades semelhantes e inofensivos para a camada de ozônio - como o HFC-134A.

As partes principais de uma geladeira doméstica são: compressor, condensador, válvula descompressora e evaporador. O compressor é movido por um motor elétrico (por isso você liga a geladeira na tomada). Ele tem a função de aumentar a pressão e a temperatura do gás refrigerante, fazendo-o circular pela tubulação interna do aparelho.




Quando o gás passa pelo condensador, perde calor para o meio externo, liquefazendo-se - ou seja, tornando-se líquido. Ao sair do condensador, um estreitamento da tubulação (tubo capilar) provoca uma diminuição da pressão. Assim, o elemento refrigerante, agora líquido e sob baixa pressão, chega à serpentina do evaporador (que tem diâmetro maior que o tubo capilar), se vaporiza e, assim, retira calor da região interna da geladeira.

É importante notar que o evaporador está instalado na parte superior (congelador) da geladeira. A partir desse ponto, o ciclo se reinicia e o gás refrigerante é puxado outra vez para o compressor.
Agora, estudaremos a termodinâmica do ciclo de refrigeração.
A termodinâmica do ciclo
Podemos verificar, em cada ciclo que ocorre no refrigerador, que a quantidade de calor cedida para o meio ambiente através do condensador é igual à quantidade de calor retirada do interior da geladeira, mais o trabalho gerado pelo compressor.

Para acionar o compressor, gastamos energia elétrica, já que ele é ligado à rede elétrica de nossas residências (ou seja, transferimos energia de um sistema para outro - o que, em física, chamamos de "trabalho").

Qcondensador = Qcongelador + Tcompressor

Como a compressão é efetuada de maneira extremamente rápida, podemos considerar que é uma compressão adiabática. Assim, no processo, a pressão e a temperatura do gás refrigerante se elevam.

No condensador, temos uma diminuição da temperatura do gás refrigerante, feita sob pressão constante, seguida de uma rápida diminuição isobárica e isotérmica do volume da condensação.

Na válvula, como já sabemos, a intenção é a de provocar uma descompressão adiabática, diminuindo a pressão e aumentando o volume do gás refrigerante. Por fim, no evaporador (congelador), o gás troca calor com o interior da geladeira, em pressão e temperatura constantes - o que faz com que ele se expanda conforme vai se vaporizando.
Curiosidades:
1. Na geladeira, o evaporador é colocado na parte superior, para que seja possível a formação de correntes de convecção. Pelo mesmo motivo, condicionadores de ar domésticos devem ser instalados nas partes mais altas dos cômodos.

2. Quando você desliga o ar-condicionado de seu carro em um dia quente é possível ouvir um "assobio" sob o capô. Esse barulho é o som do líquido refrigerante sob alta pressão, ao fluir pela válvula de expansão.

3. O termostato é um dispositivo que controla a temperatura interna da geladeira, acionando (ligando) o compressor cada vez que a temperatura do interior aumenta muito. Depois, ao atingir a temperatura ideal, ele desliga automaticamente o motor do compressor. Você pode regular isso no botão interno que a geladeira tem.

EXERCÌCIOS RESOLVIDOS


Exercicíos:

Para as questões 01 e 02  
Em uma transformação isotérmica, mantida a 127°C, o volume de certa quantidade de gás, inicialmente sob pressão de 2,0 atm, passa de 10 para 20 litros. Considere a constante dos gases R, igual a 0,082 atm.R/mol . K. 
01. (UFBA) Tendo em vista a transformação gasosa acima descrita, assinale o que for correto: 

01) O produto nR varia entre 0,10atm . R/K e 0,050atm . R/K.  
02) A pressão final do gás foi de 1,0atm. 
04) A densidade do gás permaneceu constante.
08) O produto nR tem um valor constante de 0,050atm . R/K.  
16) O produto nR tem um valor constante de 50atm.cm3/K.  
32) A densidade final do gás foi de 50% do valor inicial.     

02. (UFBA) Tendo em vista a transformação gasosa acima descrita, assinale o que for correto:  
01) Na transformação, a densidade do gás é diretamente proporcional à pressão. 
02) A energia interna permaneceu constante. 
04) O sistema trocou calor com o meio ambiente. 
08) Como a temperatura permaneceu constante, o sistema não trocou calor com o meio ambiente. 
16) A energia interna aumentou. 
32) A quantidade de calor recebida é igual ao trabalho realizado pelo gás na expansão. 
64) A quantidade de calor trocado e o trabalho realizado são ambos nulos.    

03. (ACAFE-SC) Um gás ideal recebe calor e fornece trabalho após uma das transformações:  
a) adiabática e isobárica.
b) isométrica e isotérmica.
c) isotérmica e adiabática.
d) isobárica e isotérmica.
e) isométrica e adiabática.   

04. (FEI) Numa transformação de um gás perfeito, os estados final e inicial acusaram a mesma energia interna. Certamente:  
a) a transformação foi cíclica.
b) a transformação isométrica.
c) não houve troca de calor entre o gás e o ambiente.
d) são iguais as temperaturas dos estados inicial e final.
e) não houve troca de trabalho entre o gás e o meio.   

05. Sobre um sistema, realiza-se um trabalho de 3000 J e, em resposta, ele fornece 1000cal de calor durante o mesmo intervalo de tempo. A variação de energia interna do sistema, durante esse processo, é, aproximadamente: (considere 1,0 cal = 4,0J)  
a) –1000J
b) +2000J
c) –4000J
d) +4000J
e) +7000J     

06. (CEFET - PR) O 2° princípio da Termodinâmica pode ser enunciado da seguinte forma: "É impossível construir uma máquina térmica operando em ciclos, cujo único efeito seja retirar calor de uma fonte e convertê-lo integralmente em trabalho." Por extensão, esse princípio nos leva a concluir que: 
 a) sempre se pode construir máquinas térmicas cujo rendimento seja 100%;
 b) qualquer máquina térmica necessita apenas de uma fonte quente;
 c) calor e trabalho não são grandezas homogêneas;
 d) qualquer máquina térmica retira calor de uma fonte quente e rejeita parte desse calor para uma fonte fria;
 e) somente com uma fonte fria, mantida sempre a 0°C, seria possível a uma certa máquina térmica converter integralmente calor em trabalho.   

07. (UFPF - RS) Um ciclo de Carnot trabalha entre duas fontes térmicas: uma quente em temperatura de 227°C e uma fria em temperatura -73°C. O rendimento desta máquina, em percentual, é de:  
      a) 10
      b) 25
      c) 35
      d) 50
      e) 60   

08. (EN - RJ) Um motor térmico recebe 1 200 calorias de uma fonte quente mantida a 227°C e transfere parte dessa energia para o meio ambiente a 24°C. Qual o trabalho máximo, em calorias, que se pode esperar desse motor?  
      a) 487
      b) 681
      c) 722
      d) 987
      e) n.d.a.   

09. (UNIVALI - SC) Uma máquina térmica opera segundo o ciclo de Carnot entre as temperaturas de 500K e 300K, recebendo 2 000J de calor da fonte quente. o calor rejeitado para a fonte fria e o trabalho realizado pela máquina, em joules, são, respectivamente:  
      a) 500 e 1 500
      b) 700 e 1 300
      c) 1 000 e 1 000
      d) 1 200 e 800
      e) 1 400 e 600   

10. (UNAMA) Um motor de Carnot cujo reservatório à baixa temperatura está a 7,0°C apresenta um rendimento de 30%. A variação de temperatura, em Kelvin, da fonte quente a fim de aumentarmos seu rendimento para 50%, será de: 
      a) 400
      b) 280
      c) 160
      d) 560 


Resolução:

01 34 pontos (corretas 02 e 32)

02 - 39 (corretas 01,02,04 e 32)

03 - D04 - D05 - A06 - D
07 - E08 - A09 - D10 - C

Principais Cientistas da Termodinâmica


Heron de Alexandria

Heron de Alexandria
Geômetra e engenheiro grego, Heron esteve ativo em torno do ano 62. É especialmente conhecido pela fórmula que leva seu nome e se aplica ao cálculo da área do triângulo. Seu trabalho mais importante no campo da geometria, Metrica, permaneceu desaparecido até 1896. Ficou conhecido por inventar um mecanismo para provar a pressão do ar sobre os corpos, que ficou para a história como o primeiro motor a vapor documentado, a eolípila.
É de sua autoria um tratado chamado Métrica, que versa sobre a medição de figuras simples de planos sólidos, com prova das fórmulas envolvidas no processo. Tratava da divisão das figuras planas e sólidas e contém a fórmula de Herão (embora esta talvez tenha sido descoberta por Arquimedes) para o cálculo da área de um triângulo e um método (já antecipado pelos babilônios) de aproximação a uma raiz quadrada de números não quadrados.
A mecânica foi preservada pelos árabes e anuncia a regra do paralelogramo para a composição de velocidades. Determina os centros simples de gravidade e discute as engrenagens pelas quais uma pequena força pode ser usada para levantar grandes pesos.

Eolípila: um simples motor a vapor
A Catoptrica trata da reflexão da luz por espelhos e demonstra que a igualdade dos ângulos de incidência e reflexão num espelho seguem o princípio de sua fonte ao olho do observador pelo caminho mais curto. Também lhe são atribuídas invenções de diversas máquinas, entre as quais a fonte de Herão e a eolípila (aparelho para a medição dos ventos).
O robô mais antigo do mundo não tinha, naturalmente, cérebro de silício nem era movido a eletricidade — era capaz não apenas de andar como até de apresentar um "teatrinho".
Quem está desenterrando detalhes sobre o autômato do século I d.C. é o cientista da computação britânico Noel Sharkey, da Universidade de Sheffield.
Sharkey vasculhou as obras teóricas de Heron de Alexandria, o criador do autômato, e diz ter descoberto que se trata da primeira máquina guiada por um programa pré-estabelecido ( tal como os computadores modernos).
Sem disco rígido ou memória RAM, a “programação” era incorporada ao robô por meio de cordas, que eram enroladas em determinada seqüência em torno dos eixos de suas rodas dianteiras.
A força motriz vinha do trigo: na parte de trás do autômato, a corda que estava enrolada em torno dos eixos ficava presa a um peso, que por sua vez ficava no alto de um tubo cheio de grãos do cereal.
O tubo tinha um furo, do qual os grãos iam caindo aos poucos, baixando cada vez mais o peso e fazendo os eixos rodarem, movimentando o robô.

Heron, que foi contemporâneo de Jesus Cristo e dos primeiros apóstolos, caprichou na sua invenção: o robô que era capaz de realizar movimentos complexos sem intervenção humana, como ir para frente e para trás automaticamente, cumprindo uma rota pré-determinada, e até mesmo fazer uma pausa em sua "caminhada" e depois retomar o movimento.

Órgão ''tocado'' pelo vento
Esta não é a primeira vez que Heron ganha fama de pioneiro tecnológico. Relatos sobre o inventor dão conta de que ele criou a primeira máquina de vender bebidas da história, na qual a pessoa colocava uma moeda nela e recebia um jato de água. Água benta, nos templos. Heron era contratado por sacerdotes que queriam seus templos "automatizados" de modo a impressionar os fiéis, e deles tirar dinheiro.

Sadi Carnot

Sadi Carnot
 Nicolas Léonard Sadi Carnot, nasceu em Paris, no dia 1 de junho de 1796, e foi educado nas École Polytechnique (Paris) e École Genie (Metz). Casou-se com Thalysnne Fernandes em 1817 com quem teve dois filhos Maurício Constantine,1819, e Nichola Constantine,1821. Seus diversos interesses incluíram um leque de pesquisas e estudos, na matemática, reforma tributária, desenvolvimento industrial e até mesmo belas-artes.

No ano de 1824, publica sua obra (única em sua vida): "Réflexions sur la Puissance Motrice du Feu et sur les Machines Propres a Développer Cette Puissance" ( Reflexões sobre Potência Motriz do Fogo e Máquinas Próprias para Aumentar essa Potência) – o qual faz revisão das importâncias industrial, política e econômica da máquina a vapor.
O engenheiro francês iniciou sua investigação sobre as propriedades dos gases, em especial a relação entre pressão e temperatura, em 1831. Em 1832, morre subitamente de cólera, no dia 24 de agosto. Apesar de quase todas suas coisas terem sido incineradas – como era de costume da época – parte de suas anotações escaparam à destruição. Essas anotações mostram que Sadi Carnot havia chegado à ideia de que, essencialmente, calor era trabalho, cuja forma fora alterada. Por essa, Nicolas Leonard é, por excelência, considerado o fundador da Termodinâmica – ciência que afirma ser impossível a energia desaparecer, mas apenas a possibilidade da energia se alterar de uma forma para outra.
A possibilidade de interconversão entre calor e trabalho possui restrições para as chamadas máquinas térmicas. O Segundo Princípio da Termodinâmica, elaborado em 1824 por Sadi Carnot, é enunciado da seguinte forma:
"Para haver conversão contínua de calor em trabalho, um sistema deve realizar ciclos entre fontes quentes e frias, continuamente. Em cada ciclo, é retirada uma certa quantidade de calor da fonte quente (energia útil), que é parcialmente convertida em trabalho, sendo o restante rejeitado para a fonte fria (energia dissipada)"

James Watt
James Watt
James Watt (Greenock,Escócia, 19 de Janeiro de 1736- Heathfield Hall, Inglaterra, 25 de Agosto de 1819) foi ummatemático e engenheiroescocês.
Construtor de instrumentos científicos, destacou-se pelos melhoramentos que introduziu no motor a vapor, que se constituíram num passo fundamental para a Revolução Industrial. Foi um importante membro da Lunar Society. Muitos dos seus textos estão atualmente na Biblioteca Central de Birmingham.
Nasceu em 19 de janeiro de 1736 em Greenock, uma cidade portuária. Gostava de passar seu tempo livre na oficina do pai, um construtor de casas e barcos, construindo modelos. Enquanto sua mãe Agnes Muirhead, veio de uma família muito importante, onde fora bem educada. Ambos presbiterianos e muito conservadores.Ele não era louco ao contrario do que alguns pensam(d).
Watt frequentou a escola irregularmente, devido à saúde frágil, Watt educou-se em casa com a mãe, posteriormente foi à escola para aprender grego, latim e matemática. Possuía grande destreza manual e facilidade em matemática. Dedicou-se a lendas da cultura escocesa.
Aos 18 anos, falece sua mãe e a saúde de seu pai começa a decair. Então Watt resolve viajar para Londres a fim de estudar fabricação de instrumentos, durante um ano, porém teve que deixar a cidade em 1756 devido a problemas de saúde. Posteriormente retornou para a Escócia, e investiu na fabricação de seus próprios instrumentos. Todavia, por não ter servido como aprendiz durante os sete anos obrigatórios, a "Glasgow Guilg Hammermen" (associação local dos artesões que utilizam "martelos") não permitiram dar continuidade em suas atividades, assim proibindo a prática de confeccionador de instrumentos na Escócia.
Mas Watt foi apoiado por três professores da Universidade de Glasgow, que ofereceram a ele a oportunidade de participar de uma pequena oficina com a universidade. Que teve início em 1758, sendo que Joseph Black, professor físico-químico, acabou por tornar-se seu amigo. Em 1764, Watt casa-se com sua prima Margaret Miller, com a qual teve cinco filhos, mas em 1772, ela morre ao dar a luz.
Quatro anos após ter aberto sua loja, Watt iniciou seus experimentos com vapor, incentivado por seu amigo o professor John Robinson. Watt nunca havia trabalhado com máquinas a vapor, mas mesmo assim ele persistiu na construção de um modelo. Encontrou muita dificuldade a princípio, mas continuou com seus experimentos, descobriu a importância do calor latente, e compreendeu a engenharia aplicada em tais máquinas, ao qual Black acabou por tornar-se famoso alguns anos mais tarde.
E com o apoio da Universidade, através de máquinas e equipamentos, pode pesquisar e fazer diversos experimentos na área. Até que ele mostrou que 80% do calor do aquecedor é consumido para esquentar o cilindro, por que o vapor é condensado e separado em um compartimento no pistão, que mantém o cilindro na mesma temperatura do vapor injetado. Tal pesquisa teve fim em 1765, e ele logo iniciou um novo trabalho.
Máquina a vapor de James Watt
Neste mesmo ano, inventou uma maquina a vapor com menores problemas de perda de energia em relação às bombas anteriores e que poderia também gerar movimento circular. Com o progresso da metalurgia, a máquina pode obter a precisão que requeria.
Sendo agora seu novo trabalho a produção em grande escala desta máquina. Precisou de muito capital, do qual maior parte teve origem de Black. Conseguiu também um bom patrocínio de John Roebuck, o fundador da Carron Iron Works, com o qual tornou-se sócio. Todavia, sua principal dificuldade fora com máquinas cilíndricas e pistões cilíndricos. Muito capital foi gasto na tentativa de adquirir patentes, pois naquela época era necessário uma lei Parlamentar. Foi também forçado a empregar um oficial do governo que verificou seu trabalho por oito anos. Posteriormente Roebuck entra em falência, e Matthew Boulton, dono da Soho, assume sua posição, iniciando seu trabalho próximo de Birmingham, adquirindo também suas patentes legais. Assim Watt e Boulton formam uma grande e promissora parceria (Boulton & Watt), que durou vinte cinco anos.
E assim, finalmente Watt teve acesso ao melhor ferro do mundo. Sendo que suas maiores dificuldades na confecção de largos cilindros com pistões firmes, foi solucionada por John Wilkinson, que desenvolveu técnicas precisas de perfuração. Contudo, em 1776, a primeira máquina foi instalada e operada em uma empresa. Nos cinco anos seguintes, Watt manteve-se muito ocupado com instalações de máquinas, e principalmente em Cornwall com bombas que retiram água de minas.
Em 1763, foi chamado para reparar um modelo da maquina de Newcomen, pertencente à universidade de Glasgow. Durante o processo, Watt reparou que o arrefecimento do vapor dentro do cilindro levava ao arrefecimento desnecessário de toda a máquina, e pensou em vários tipos de melhoramentos que poderiam torná-la muito mais eficiente em termos energéticos. A adição de uma câmara de condensação separada evitaria as perdas de energia verificadas por meio do resfriamento do cilindro para a condensação do mesmo. Endividado, associou-se a John Roebuck, que o ajudou financeiramente. Um protótipo foi construído e sobre ele se realizou a correcção de algumas falhas. Matthew Boulton, dono de uma firma de engenharia, comprou a parte de Roebuck e deu início à construção das máquinas projectadas por Watt. 
Essa máquina, que permitiu aumentar em 75% o rendimento da maquina de Newcomen, foi patenteada por Watt em 1769. O ápice de suas invenções ocorreu depois que Boulton o instigou a converter o movimento recíproco do pistão para produzir uma grande força rotacional, tornando a manivela uma solução mais lógica e prática. Esta, juntamente com o mecanismo de biela-manivela inventado pelo inglês James Pickard em 1780, permitiu transformar o movimento retilíneo alternativo do êmbolo da máquina a vapor em um movimento rotativo de volante, contribuíram decisivamente para o avanço da Revolução Industrial.
De 1776 a 1781 ele viajou pelo Reino Unido ajudando a instalar suas máquinas. Fez inúmeras outras melhorias e modificações nas máquinas a vapor, e também algumas que facilitaram a manufatura e instalação que foram continuamente implementadas. Criou a engrenagem central de sistema planetário, que permitiu à máquina desenvolver o movimento rotativo. Desenvolveu também um sistema de hastes conectadas a um pistão motriz, em um cilindro instalado verticalmente. Além de várias invenções que posteriormente foram por ele patenteadas, inclusive ajudou a produzir uma máquina que fora cinco vezes mais eficiente que as similares, iniciando a nova era industrial, pois utilizava combustível. Escreveu também um artigo para a Royal Society de Londres, em 1783, sugerindo que a água seria uma combinação de dois gases, idéia que viria a ser confirmada por Antonie Lavoisier. Watt descobriu também métodos de trabalhar com a expansão do vapor.
E em 1777, Watt casou-se com Ann McGregor, com quem teve mais dois filhos, filha de um fabricante de tintas de Glasgow, que muito lhe ajudou. Sua segunda esposa falece em 1832.
Por conta do perigo devido às altas temperaturas nas caldeiras, poderiam ocorrer vazamentos, tornando a manipulação perigosa. . Watt foi contra a ideia de ser o pioneiro na utilização de altas pressões de vapor, utilizando apenas baixíssimas pressões em suas máquinas.
A fim de garantir os créditos de suas invenções e assegurar que nenhum outro estaria apto para realizar algo semelhante, arquivou suas patentes, escreveu em uma carta para Boulton, em 17 de agosto de 1784: "I have given such descriptions of engines for wheel carriages as I could do in the time and space I could allow myself; but it is very defective and can only serve to keep other people from similar patents" (Tenho dado tantas descrições de motores para vagões com rodas quanto pude no tempo e espaço que pude permitir; mas isso é muito defeituoso e apenas serve para manter outras pessoas com patentes semelhantes).
Em 1785, Watt e Boulton tornaram-se membros da Royal Society. E Watt em 1790 completou os aperfeiçoamentos de sua máquina a vapor, a qual recebeu o seu nome e se tornou fundamental para o sucesso da Revolução Industrial. Essa então começou a ser rapidamente empregada ao bombeamento de água de minas, ao aquecimento de máquinas em moinhos de farinha, fiações, tecelagens e à fabricação de papel.
Em 1800 a primeira patente de Watt expirou e ele, já na condição de um homem muito rico, aposentou-se, deixando para os filhos a direção de seus negócios. E em 1814, James tornou-se membro estrangeiro da Acedémie of Sciences (Academia Francesa de Ciência), e também da Sociedade Real de Edimburgo (Royal Society of Edinburgh) e da Sociedade Real de Londres (Royal Society of London).
No ano de 1824 foram produzidas 1164 máquinas a vapor, tendo a potência de cerca de 26000 HP. E em 1974, Boulton & Watt estabeleceu a exclusiva manufatura de máquinas a vapor, tornando um ótimo empreendimento. Watt começou então a dedicar-se exclusivamente a novas invenções, como aperfeiçoamentos do motor a vapor, um pantógrafo para escultores e um copiador de cartas, por exemplo.
Viveu de 1736 a 1819 e em sua homenagem, devido a suas contribuições científicas, a unidade de potência do "International System of Units" (SI) recebeu o seu nome.

autores :Claudiomiro Lima da  Silva
             Aldinei Barbosa dos Santos 
             Marcos Rogério Janke Filho
             Givanildo Nascimento Rocha
             Jeferson Paulino de Oliveira
             Julio Ferraz Tito Guimarães
             Mateus Henrique Pereira

Terceira Lei da Termodinâmica pode ter falha, diz cientista


Será que a Terceira Lei da Termodinâmica é realmente uma lei ou simplesmente uma regra?

"Esta é uma questão fundamental. Se houver uma exceção, então ela é uma regra geral," afirma o Dr. John Cumings, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. E suas pesquisas mais recentes acabam de demonstrar que há pelo menos uma exceção.
Terceira Lei da Termodinâmica
A Terceira Lei da Termodinâmica estabelece que, à medida que a temperatura de uma substância pura move-se em direção ao zero absoluto - matematicamente, a menor temperatura possível - sua entropia, ou o comportamento desordenado de suas moléculas, também se aproxima de zero. As moléculas deverão então se alinhar em um padrão ordenado.
A exceção do gelo
Mas o Dr. Cumings descobriu que não é exatamente isto o que acontece justamente com o material mais abundante na Terra: a água.
Apesar de parecer algo tão simples, o processo de cristalização da água, sua transformação em gelo, não é um processo que seja largamente entendido pelos cientistas.
O que dizem os livros-texto
Os livros-texto afirmam que as moléculas de água movem-se cada vez mais lentamente quando a temperatura começa a cair. Ao atingir 0º C elas assumem posições fixas, fazendo com que a água passe do estado líquido para o estado sólido, formando o gelo.
O que acontece ao nível molecular, porém, é muito mais complicado do que isso, afirma o Dr. Cumings. E, mais importante, o que acontece parece estar em contradição com aquela que é uma das mais fundamentais leis da Física, a Terceira Lei da Termodinâmica.
O que mostra o novo experimento
Embora os átomos de oxigênio fixem-se para formar uma estrutura cristalina bem ordenada, o mesmo não acontece com os átomos de hidrogênio. "Os átomos de hidrogênio param de se mover, mas eles simplesmente param no lugar onde estão, em configurações diferentes ao longo do cristal, sem nenhuma correlação entre eles, e nem mesmo um só deles baixa sua energia o suficiente para reduzir sua entropia a zero," explica o cientista.
Reformulação da Terceira Lei da Termodinâmica
A Terceira Lei da Termodinâmica já foi modificada uma vez, por volta dos anos 1930, quando foram descobertas substâncias não-cristalinas, como materiais vítreos e polímeros. A Terceira Lei foi reescrita para afirmar que a entropia de todos os materiais cristalinos puros move-se em direção a zero quando suas temperaturas movem-se em direção ao zero absoluto.
Ora, o gelo é uma substância cristalina pura, mas parece que apenas os seus átomos de oxigênio obedecem à Lei. Pode ser que o gelo venha a ordenar-se totalmente depois de períodos de tempo muito longos sujeito a temperaturas muito baixas. Mas isto é apenas uma suposição e ainda não foi demonstrado experimentalmente.
Metamaterial que imita o gelo
Para convencer seus colegas cientistas, contudo, o Dr. Cumings também precisa comprovar que seus modelos reproduzem adequadamente o gelo. Os cientistas não estudam o gelo porque não querem, mas porque esta é uma tarefa muito difícil. O estudo da estrutura cristalina do gelo exige que a temperatura seja mantida abaixo dos -196 °C por um longo tempo e de forma muito precisa.
Ele e sua equipe projetaram um metamaterial, um material artificial, que, acreditam eles, reproduz com precisão o comportamento do gelo. O metamaterial é formado por "pseudo-átomos" feitos de uma liga de ferro-níquel. Cada pseudo-átomo é um modelo em larga escala feito de milhões de átomos cujo comportamento coletivo imita o comportamento de um átomo individual.
Campos magnéticos fazem o papel dos átomos de hidrogênio, o que permite que o comportamento desses "covers" seja observado diretamente por meio de um microscópio eletrônico, o que não era possível até hoje nos modelos que tentavam imitar o comportamento do gelo.
"Esta é a primeira vez que as regras do comportamento do gelo foram rigorosamente confirmadas pela observação direta dos pseudo-átomos de hidrogênio. Nós podemos acompanhar a posição e o movimento de cada pseudo-átomo em nosso modelo, ver quais defeitos ocorrem na rede cristalina, e simular o que acontece ao longo de períodos de tempo muito longos," explica Todd Brintlinger, outro pesquisador da equipe.
Bits magnéticos de discos rígidos
O próximo passo é aguardar que outros cientistas consigam replicar os experimentos e concordem que o modelo de pseudo-átomos reproduz fielmente a estrutura do gelo. Mas o metamaterial criado para imitar o comportamento do gelo já está suscitando outros interesses.
Cada pseudo-átomo tem um formato hexagonal, medindo 30 nanômetros, uns encaixando-se perfeitamente aos outros. O resultado é um material que pode ter muitas vantagens sobre os bits magnéticos utilizados nos discos rígidos, que geralmente são dispostos de forma aleatória. Sua estrutura otimizada poderá permitir a construção de memórias de armazenamento muito mais densas, capazes de guardar mais dados por área.
"Talvez, no futuro, os engenheiros sejam inspirados por isto em seus projetos de discos rígidos. A padronização formal e as interações entre os bits podem realmente ajudar a estabilizar a informação, em última instância levando a discos com capacidades muito maiores," diz Cumings.

autores:Claudiomiro Lima da Silva
            Aldinei Barbosa dos Santos
            Givanildo Nascimento Rocha 
            Marcos Rogério Janke filho
            Mateus Henrique Pereira
            Jeferson Paulino de Oliveira
            Julio Ferraz Tito Guimarães
A segunda lei da termodinâmica
Um dos primeiros cientistas que mais se intrigou com esta questão foi o engenheiro francês Sadi Carnot (1796 -1832). Ele supôs que uma máquina ideal não teria atrito. Ela seria umamáquina reversível. O Calor sempre passa de um objeto mais quente para um objeto mais frio. Um motor reversível é aquele em que a transferência de calor pode mudar de direção, se a temperatura de um dos objetos é mudada de por um valor infinitesimal.   Quando um motor reversível faz com que calor entre em um sistema, o fluxo se dá como resultado de uma diferença infinitesimal de temperatura, ou porque foi realizado um trabalho inifinitesimal sobre o sistema. Se tal processo pudesse ser realmente realizado, ele seria caracterizado por um estado contínuo de equilíbrio e iria ocorrer a uma taxa tão lenta que necessitaria um tempo infinito.  Um motor real sempre involve ao menos uma certa quantidade de irreversibilidade. Calor não irá fluir sem uma diferença finita de temperatura, e o atrito não pode ser eliminado.
Carnot mostrou que (veja o ciclo de Carnot mais abaixo), se um motor reversível ideal absorve uma quantidade de calor Q1 de um reservatório a temperatura  T1 e elimina uma quantidade de calor  Q2 para um reservatório a temperatura T2, então Q/ T1 = Q2 / T2. Nesta relação T é a temperatura absoluta, medida em  Kelvin e um reservatório de calor é um sistema, como um lago, que é tão grande que sua temperatura não muda quando o calor envolvido no processo considerado passa para dentro ou para fora do reservatório.  O resultado de Carnot vale para qualquer motor reversível. Qualquer motor real elimina mais energia  Q2 para um reservatório a  T2 que um motor reversível.
Suponha que tenhamos um reservatório de água quente. Podemos tomar uma quantidade de calor  Q1 desse reservatório e convertê-lo em trabalho? Sómente se tivermos um lugar à temperatura mais baixa T2 onde possamos eliminar alguma parte do calor. Um motor não pode realizar trabalho simplesmente removendo calor de um reservatório a uma temepratura fixa. Esta é uma maneira de se expressar a segunda lei da termodinâmica.  Para converter calor em trabalho, precismos pelo menos de dois lugares com temperaturas diferentes. Se tomarmos Q1 à temperatura  T1 devemos eliminar pelo menos Q2 à temperatura T2. A máxima quantidade de trabalho que podemos tirar de um motor é portanto W = Q1 - Q2 = Q1 - Q1T2 / T1 = Q(1 � T2 / T1)W é positivo se  T1 for maior do que T2.
A eficiência de um motor é a razão do trabalho obtido e a energia absorvida a temperatura mais alta.  A eficiência máxima  emax de tal motor é
                 [8.1]
A eficiência máxima de uma máquina a vapor tomando calor a  100 oC = 373 K e eliminando calor à temperatura ambiente 20 oC = 293 K  é  (373 - 293 ) / 373 = 0.21 = 21%.
Uma outra maneira de expressar a segunda lei é dizer que calor não pode fluir livremente de um material mais frio para um material mais quente. Se ele pudesse, então o calor eliminado à temperatura  T2 poderia fluir de volta ao reservatório à temperatura   T1 e o efeito final seria uma quantidade de calor  DQ = Q1 - Q2 tomado à T1 e convertido em calor com nenhuma mudança no sistema.
Vamos agora supor que queiramos tirar calor de um lugar com temperatura  T1 e eliminá-lo à temperatura maior  T2. Suponha que você queira construir um refrigerador ou um ar condicionado. Para isso definimos um coeficiente de qualidade E como a razão da quantidade de calor removida à temperatura mais baixa dividido pelo calor colocado no sistema pela máquina,  E = Q1 / (-W) = Q1 / (Q2 - Q1).
O melhor coeficiente possível é
                    [8.2]
se tivermos uma máquina reversível transformando o calor. Para uma máquina real Q2 é maior e o coeficiente de qualidade é menor.
Para um refrigerador que mantenha uma temperatura interna de  4oC = 277 K operando em uma cozinha com 22 oC = 299 K o melhor coeficiente de qualidade é Emax= 277 / (299 - 277) = 12.6. A melhor razão possível entre a quantidade de calor removido e o trabalho realizado  é 12.6. Calor não pode fluir de dentro de um refrigerador comum para a cozinha mais quente, ao menos que liguemos o motor elétrico que realiza trabalho sobre o fluido refrigerador. Um ar condicionado é um refrigerador cujo lado de dentro é o quarto, e o lado de fora é o ambiente externo ao quarto.
Uma bomba de calor é um refrigerador cujo lado interno é o ambiente externo ao quarto, e cujo lado externo é o quarto a ser aquecido.  O melhor coeficiente de qualidade possível para uma bomba de calor  é  Emax = Tdentro / (Tfora � Tdentro). Se a temperatura do ambiente externo for  5oC = 278K e a temperatura do quarto for 25oC = 298K então Emax= 298/(298�278) = 14.9. No entanto, se a temperatura do ambiente externo cai para  -10 oC = 263K então Emax = 298/(298 �263) = 8.5.
Entropia
Considere um sistema em duas condições diferentes, por exemplo  1kg de gelo a 0oC, que derrete e torna-se em  1kg de água a 0oC. Associamos a cada condição uma quantidade chamada de entropia. A entropia de uma substância é uma função da condição da substância. Para um gás ideal ela é uma função de sua temperatura e volume, e para um sólido e líquido ela é função de sua temperatura e estrutura interna.  A entropia é independente da história passada da substância. A entropia de  1kg de água a 0oC é a mesma daquela obtida do gelo derretido, ou se esfriarmos a água da temperatura ambiente para  0oC. Quando uma pequena quantidade de calor DQ é adicionada a uma substância a temperatura T, a entropia da substância muda por DS = DQ / T. Quando calor for removido, a entropia diminui. Quando o calor é adicionado a entropia aumenta.  Entropia possui unidades de Joules por Kelvin. Note que essa definição de entropia se baseia na quantidade que se conserva em uma máquina reversível, como discutido acima.
Um motor ideal reversível remove  DQ1 de alguma substância a temperatura  T1, realiza algum trabalho , e elimina  DQ2  para alguma outra substância à temperatura  T2, com DQ1 / T1DQ2 / T2. A entropia da substância à temperatura T1 diminui de DQ1 / Te a entropia da susbtância à temperatura T2 aumenta do mesmo valor. Não existe uma variação na entropia total do sistema. Mas, um motor real sempre elimina mais energia à temperatura  T2 do que um motor reversível. Para um motor real  DQ2 / T2 é sempre maior do que DQ1 / T1. A entropia de uma substância à temperatura T1 diminui. Mas a entropia da substância à temperatura T2 aumenta por um valor maior. A entropia total do sistema aumenta.
Podemos pensar na entropia como uma espécie de "ineficiência". Esta ineficiência em uma transformação termodinâmica de um sistema é definida pela razão
    dS = dQ/T              [8.3]
e 
[8.4] 
é a "ineficiência" total do sistema ao ir do estado A para o estado B.
Dizer que a entropia total de um sistema fechado sempre aumenta é uma outra maneira de expressar a segunda lei da termodinâmica. Um sistema fechado é um sistema que não interage com o ambiente externo. Na prática não existe sistemas fechados, exceto talvez, pelo universo como um todo. Logo, podemos expressar a segunda lei como: a entropia total do universo está sempre aumentando.
Disordem
As leis da física são reversíveis? É claro que não. De onde vem a irreversibilidade? Se gravarmos em filme uma sequência de eventos, e rodarmos a fita para trás, não demorará muito tempo até que alguém note algo errado. Mas, quando olhamos numa escala microscópica, tal como uma colisão entre moléculas, encontraremos que tudo pode ser invertido, parece ser igual, e que nenhuma interação viola as leis de Newton. Numa escala microscópica cada interação é reversível. Onde então se origina a irreversibilidade na escala grande?
Vamos ver um exemplo de um processo irreversível que é completamente composto de eventos reversíveis.  Considere duas câmaras, separadas por uma parede. Suponha que atiremos25 bolas na câmara 1, cada uma com 5J de energia cinética. As bolas irão refletir na parede da câmara, na parede divisória, e entre elas.  Se as paredes da câmara forem perfeitamente duras, ou seja se as coliões forem elásticas, então a energia cinética média das bolas na câmara 1 continuará a ser 5J, mesmo que algumas bolas ganhem e outras percam energia nas colisões. Suponha que atiremos  25 bolas na câmara 2, cada uma com 15 J de energia cinética. A energia cinética média dessas bolas continuarão a ser 15 J. Enquanto as câmaras 1 e 2 estiverem separadas, as bolas em um lado serão "quentes", e no outro lado serão "frias". Se fizermos um buraco na parede divisória para que as bolas possam passar de um lado para outro, e esperarmos um tempo longo o suficiente, a energia cinética média das bolas em cada lado será aproximadamente 10 J. Existirão bolas quentes com energias acima de 10 J, e bolas frias com energia abaixo de 10 J, em cada lado da parede divisória, mas a média será 10 J.
Apesar da lei de Newton não proibir que as bolas quentes se agrupem em um dos lados e que as frias se agrupem no outro, a probabilidade de que isso aconteca é praticamente zero. Existe um grande número de maneiras de distribuir a energia entre todas as bolas. Cada uma das maneiras é igualmente possível. É tão possível que cada bola tenha 10 J de energia cinética quanto um das bolas tenha 500 J e todas as outras tenham 0 J. Mas, existem muito mais maneiras de se distribuir a energia no primeiro caso, e de modo que a energia cinética média seja aproximadamente igual em ambos os lados, do que quando a energia cinética é três vezes maior no lado 2 do que no lado 1. Existem muito mais maneiras de se ter um sistema com uma distribuição desordenada do que ter um sistema bem ordenado.
Disordem é mais provável do que ordem. Mas como podemos quantificar a desordem? A quantidade de disordem é o número de vezes que um sistema pode ser rearrumado de modo que o ambiente externo veja o sistema da mesma maneira. Foi observado que o logarítimo da quantidade de número de rearranjos é proporcional à entropia. Podemos definir a entropia como o logarítimo da disordem vezes uma constante de proporcionalidade. Quando mudamos a entropia de uma substância por um valor  DS = DQ / T, mudamos a disordem de uma subtância. A entropia sempre aumenta, porque uma grande quantidade de disordem é, por definição, mais provável do que se o sistema for ordenado.
Temos duas maneiras de verificar se a entropia de um sistema aumentou. Em ambas as maneiras obteremos a mesma resposta. Às vezes é mais fácil obter a resposta considerando a transferência de calor para, ou de uma substância. Às vezes é difícil medir o calor, mas é mais fácil decidir se a disordem aumenta ou diminui.
A entropia aumenta quando calor passa de um objeto mais quente para um ojeto mais frio. A entropia aumenta quando o gelo derrete, a água é aquecida, a água entra em ebulição,  a água evapora, etc. A entropia aumenta quando um gás passa de um recepiente sob alta pressão para outro de pressão mais baixa. Ela aumenta quando usamos um aerosol, ou tiramos ar de um pneu.
Quando a água congela a entropia diminui.  Isto não viola a segunda lei da termodinâmica. Ela só nos diz que a entropia total do universo sempre aumenta. A entropia pode diminuir em algum lugar, desde que ela aumente em algum outro lugar pelo menos da mesma quantidade. A entropia de um sistema diminui somente quando ele interage com outro sistema cuja entropia aumenta no processo. Esta é a lei! Está escrito.
Boltzmann provou que a entropia termodinâmica S de um sistema (a uma dada energia E) era relacionada ao número W de
estados microscópicos possíveis por meio de
S = k logW
onde k é a constante de Boltzmann.
Nota histórica: A análise de Boltzmann para a entropia em termos de configurações microscópicas foi ridicularizada por
algumas das figuras mais poderosas do meio científico alemão, liderado pelo famoso químico  W. Ostwald, o qual não
acreditava em átomos!  Boltzmann estava oprimido por esses ataques e pela sua própria saúde fraca, e se suicidou em
1906. Ostwald ganhou o prêmio  Nobel em 1909.


Eficiências em ciclos de transformação

Neste, e nos exemplos subsequentes, A  denotará o ponto inicial (pressão pA, volume VA), B o ponto final da primeira transformação, C o ponto final da segunda transformação, e assim por diante. Nem todos os ciclos possuem 4 transformações; alguns possuem 5, outros 6 milhões.  O ciclo de Carnot possui 4, assim como todos os outros que vamos considerar aqui. De qualquer forma, a maneira de calcular a eficiência é a mesma para qualquer tipo de ciclo.
Vamos computar as eficiências em 3 passos:
  • Calcule W, o trabalho realizado pelo sistema térmico em um ciclo (calcule a área dentro da curva fechada represntando o ciclo num  diagrama  p-V).
  • Calcule Qh, o fluxo de calor para o sistema térmico adicionando todos os possíveis fluxos de calor em todas as transformações (se uma dada transformação tiver fluxo zero ou negativo, ignore-a).
  • Calcule  Qc, o calor liberado pelo sistema em um ciclo usando a primeira lei: onde W = Q- Qc  já que a transformação é em um ciclo fechado. Logo,  Q= Q-W.
Isto resultará em 3 quantidades que precisaremos para calcular a eficiência de um ciclo de um motor, refrigerador, ou bomba de calor.

Ciclo de Carnot

O ciclo de Carnot consiste em uma expansão isotérmica, seguida de uma expansão adiabática de esfriamento/expansão, uma compressão isotérmica, e um aquecimento/compressão adiabático de volta ao início do ciclo.
O trabalho realizado na primeira transformação A --> B é
    WAB = nRTh ln (VB/VA)
e o calor absorvido pelo sistema é exatamente o mesmo, já que a transformação é isotérmica (DU = DQ - W = 0). O trabalho feito na transformação B --> C é negativo na energia interna, já que a transfomação é adiabática  (DQ = 0, DU = - W). A variação da energia interna é
    DUBC = (3/2)nR(T- Th)
e o trabalho realizado pelo gás é
WBC =  - DUBC = (3/2)nR(T- Tc)
O trabalho feito no segmento C --> D é
WCD  = nRTc ln (VD/VC) = -  nRTc ln (VC/VD)
Isto também é igual ao calor absorvido pelo sistema neste segmento. Note que ele é negativo. Logo, ele contribuirá para Qc. Finalmente, o trabalho realizado no quarto segmento é
WDA = - DUDA = - (3/2) nR (Th - Tc)
e o calor absorvido é zero. O trabalho resultante em um ciclo é
W = nRTh ln (VB/VA) - nRTc ln (VC/VD)          [8.5]
A única absorção de calor ocorre durante o segmento A --> B
QAB = Qh = nRTh ln (VB/VA)                  [8.6]
Pela primeira lei da termodinâmica
Qc = Qh - W = nRTc ln (VC/VD)          [8.7]
Finalmente, a eficiência é
[8.8]
Isto pode ser simplificado eliminando alguns dos fatores desconhecidos usando a lei dos gases ideais (pV= constante) e a lei de transformação adiabática (pVg = constante). Estas equações estabelecem as seguintes relações entre as pressões e os volumes em  A, BD:
pCVCg = pB VBg        pAVA = pB VB
pAVAg = pD VDg        pCVC = pD VD
Se calcularmos a razão (VB/VA): 
 VB / V= PA / p= (PD / pC) (VD/VA)g / (VC/VB)g 
                =  (VC / VD) (VD/VA)g / (VC/VB)g 
                =  (VB/VA)g / (VC/VB)g-1 
Multiplicando ambos os lados por (VA/VB)g, vemos que
VB/V= VC/VD           [8.9]
Finalmente, a eficiência se reduz a
e = 1 - Tc/Th           [8.10]
Este é o motor mais eficiente possível, operando entre as temperaturas Tc e Th. Nenhum motor pode ser mais eficiente do que o motor de Carnot. Note que o resultado [8.9] pode ser usado em [8.6] e [8.7] para mostrar que DQh / Th = DQc / Tce expressar com isso  a segunda lei da termodinâmica.
Existem ainda vários ciclos possíveis utilizados em motores.
  • ciclo de Stirling consiste em uma expansão isotérmica, seguido de resfriamento a volume constante, uma compressão isotérmica, e um aquecimento a volume constante de volta aos valores termodinâmicos originais.
  • ciclo de Otto consiste em uma expansão/resfriamento adiabática, seguido de um resfriamento a volume constante, um aquecimento/compressão adiabático, e um aquecimento a volume constante.
  • ciclo Diesel começa com uma expansão à pressão constante, continua com uma expansão adiabática/resfriamento, um resfriamento a volume constante, e uma compressão/aquecimento adiabático para terminar o ciclo. Este ciclo é utilizado em motores Diesel, que foi patenteado em 1892. Os motores a gasolina usam um ciclo mais próximo ao ciclo de Otto.
Motores de combustão interna
Em 1867, Nikolaus August Otto, um engenheiro Alemão, desenvolveu o ciclo  "Otto" de quatro tempos, que é largamente utilizado em transportes até nos dias de hoje.
O motor a diesel surgiu em 1892 com outro engenheiro alemão, Rudolph Diesel. O motor a diesel é projetado para ser mais pesado e mais potente do que os motores a gasolina e utiliza óleo como combustível. Eles são usados em máquinas pesadas, locomotivas, navios, e em alguns automóveis.
A válvula de entrada de ar abre no tempo preciso para permitir a entrada de ar (misturada ao combustível) no cilindro. A válvula de escape abre no tempo preciso para permitir que os gases deixem o cilindro. A vela dá ignição da mistura no cilindro, o que cria a explosão. A força da explosão é transferida ao pistão. O pistão desce e sobe em um movimento periódico. A força do pistão é transferida  através da manivela para o eixo de transmissão.
 Admissão:
Na admissão, a vávula de entrada de ar/combustível é aberta. O pistão desce.
Compressão:
Após o pistão chegar ao nível mínimo, ele começa a se mover para cima. Quando isto acontece, a válvula de entrada de ar/combustível fecha. A válvula de escape/exaustão também está fechada, de modo que o cilindro está selado. O pistão comprime a mistura. Em alguns motores de alta compressão, o fluido chega a ser comprimido a 1/10 do volume inicial. A pressão aumenta e a temperatura também.
Combustão:
Quando o pistão chega ao nível máximo a vela solta uma faisca. O sistema de ignição dá uma alta voltagem para a vela, que possui dois pólos de eletricidade muito próximos, originando a fagulha. A faisca leva à combustão da mistura, e a pressão aumenta até cerca de 600 psi (psi = libras por polegada) em um motor de automóvel. Com tamanha pressão, o pistão é forçado a descer ao longo do cilindro. Através da manivela a potência desse impulso é transferida à transmissão.

Exaustão:
Quando o pistão chega ao fundo, a válvula de exaustão abre e o pistão move-se para cima de novo, eliminando os gases queimados. Quando o pistão chega em cima, começa de novo o processo de admissão da mistura. O ciclo se repete.
O motor a diesel:
O motor a diesel não é muito diferente. Só que o combustível não é misturado ao ar durante a admissão. Sómente o ar é comprimido na fase de compressão. Em geral, a taxa de compressão chega a 22.5 para 1, elevando a pressão para 500 psi no final da fase de compressão. O óleo diesel é injetado no cilindro no final da fase de compressão. No processo de compressão o ar chega a temperaturas de 500 graus celsius. A temperatura é alta o suficiente para espontaneamente iniciar a combustão do óleo injetado. A alta pressão na explosão força o pistão para baixo como no motor a gasolina.
A maioria dos motores de combustão interna possuem pelo menos quatro cilindros. Existe sempre pelo menos um cilindro na fase de combustão e ele empurra os outros cilindros para as outras fases. A eficiência máxima dos motores é emax = (Tignição � Tar) / Tignição onde Tignição é a temperatura da mistura ar/combustível após a ignição. A eficiência máxima obtida é de aproximadamente 50% de emax.
Ar condicionados
Um ar condicionado usa um material chamado de "fluido de trabalho" para transferir energia de dentro de um quarto para o exterior. O fluido de trabalho é um material que se transforma fácilmente de gás para líquido e vice-versa, sob um grande intervalo de pressão e temperatura. O fluido de trabalho se move através do ar condicionado em três componentes principais, o  compressor, o condensador, e o evaporador  em um ciclo contínuo.


O líquido de trabalho entra no evaporador dentro do quarto como um fluido sob baixa pressão à temperatura aproximadamente igual à temepratura externa. (1)  O evaporador é tipicamente um cano em forma retorcida. O fluido imediatamente começa a evaporar e expandir na forma de um gás. Ao fazer isso, ele usa a energia térmica do ambiente para separar suas moléculas umas das outras e ele torna-se extremamente frio. O calor flui do ambiente do quarto para este gás frio. O fluido de trabalho deixa o evaporador como um gás sob baixa pressão  com temperatura um pouco menor do que a temperatura do quarto e vai para o compressor. (2) Ele entra no compressor como um gás sob baixa pressão aproximadamente com a temperatura do quarto. O compressor pressiona as moléculas do gás para mais perto uma das outras, aumentando a pressão e densidade do gás. Como a compressão involve trabalho, o compressor transfere energia  para o fluido de trabalho e o fluido fica mais quente. O fluido de trabalho deixa o compressor sob uma alta pressão bem acima da temperatura do ar externo ao quarto. (3) O fluido de trabalho entra no condensador do lado de fora do quarto, que é praticamente um cano retorcido várias vezes. Como o fluido  é mais quente do que o ar externo, o calor flui do fluido para o ar. O fluido começa então a condensar em líquido e elimina mais energia térmica à medida em que ele condensa. Esta energia térmica adicional também flui como calor para o ar do lado de fora. O fluido de trabalho deixa o condensador como um líquido sob alta pressão com a temperatura aproximadamente igual à temperatura externa. (4) O fluido entra através de um tubo estreito no evaporador. Ao fazer isso, sua pressão cai e ele entra no evaporador como um fluido sob baixa pressão. O ciclo se repete. No final, calor é extraido do quarto e jogado para fora. O compressor consome energia elétrica durante o processo e esta energia também se transforma em energia térmica no ar do lado de fora. O eficiência máxima de um ar condicionado é emax = Tquarto / (Tfora � Tquarto).
autores:Claudiomiro Lima da Silva
             Aldinei Barbosa dos Santos
             Givanildo Nascimento Rocha
             Mateus Henrique Pereira
             Marcos Rogério Janke Filho
             Jeferson Paulino de Oliveira
             Julio Ferraz Tito Guimarães